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A história da língua romena deve ser entendida como uma vitória da latinidade na Europa oriental. O romeno é o único idioma românico nas partes orientais do Império Romano. A Romanidade do romeno resultou do contato entre o latim e a língua das populações nativas trácio-dácias na área em torno do: Cárpatos e no baixo Danúbio. A língua falada pelas tropas romanas, colonos, veteranos e civis residentes na Dácia romana foi aceita e adotada pelos tracio-dacios nativos. Pela romanização, estes conservaram no latim que vieram a falar alguns elementos específicos do vernáculo (ainda hoje podem-se identificar palavras nativas). A romanização da Dácia inclui vários traços típicos. Ela impôs à Dácia um certo tipo sócio-cultural do latim que julgamos ser a latinidade cárpato-danúbia. |
O território de aparecimento ("formação") do romeno ultrapassou as fronteiras da Dácia romana e se espalhou pelo sul do Danúbio até as montanhas balcânicas. Deve-se fazer distinção entre as regiões da Dácia inicialmente romanizadas e aquelas as quais a população romena romanizada chegou em seguida. Mobilidade foi o traço característico das populações que falavam o romeno.
A vida continuou como antes na Dácia romana depois da agressão e ocupação romana. Dentro do Império viviam dácios que se romanizavam.
Por outro lado, a evacuação administrativa e militar da Dácia romana sob o imperador Aureliano (no ano 271 d.C.) somente compreendeu umas poucas classes: a maioria da população dácia-romana (à qual se juntam os dácios "livres", que voltaram à sua terra após a retirada dos ocupantes romanos) permaneceu nos territórios ao norte do Danúbio. A população romanizada continuou modesta e discretamente sua existência, enquanto foi possível, sob circunstâncias adversas. A evidência da continuidade dácio-romana nos é oferecida pelo cristianismo latino, que se difundiu em ambas as margens do Danúbio desde os primeiros anos de nosso milênio (os séculos III-IV).
A estrutura latina da romanidade romena é determinada por elementos específicos: a natureza inicial, pastoril e agrícola da civilização romena tem sido repetidamente salientada. O romeno é tipificado pelo léxico, formas e estruturas do latim vulgar; a "rusticidade" do latim romeno é particularmente evidente.
Para distinguir as linhas gerais do aparecimento de uma estrutura românica romena distinta do latim, devemos começar dos séculos V-VI, quando o latim acentuou seus próprios traços nesta parte do mundo desenvolvendo-se independentemente das outras línguas românicas (mesmo daquelas do grupo apenino-balcânico) e das línguas balcânicas. Estes primórdios do aparecimento de uma individualidade especificamente romena foram seguidos do período da língua romena comum, de que se pode dizer que existiu do século VII em diante.
Dos séculos VII-VIII podem ainda datar-se os primeiros contatos da população romanizada ao norte e ao sul do Danúbio com as populações eslavas. Deve-se salientar porem, que o impacto do eslavo sobre o romeno ocorreu num tempo em que (segundo demonstra SEXTIL PUSCARIU) as principais leis das alterações fonéticas já estavam cristalizadas e o romeno já tinha estabelecido sua estrutura e características específicas. A influência eslava ficou evidente nos estágios finais da emergência ("formação") do romeno (nos séculos VII-VIII) e foi bem sucedida daí em diante (particularmente nos séculos XII-XIII).
A relativa unidade do romeno na época da comunidade (isto é, a língua romena comum) durou do século VII até o primeiros deslocamentos entre os grupo de romenos. Estes deslocamentos de massa ocorreram logo no século IX, no território em que o romeno era falado, ao norte do Danúbio (no Banat, 0ltênia, Transilvânia ocidental, Valáquia e a planície danúbia da Moldávia do sul), bem com ao sul do Danúbio, descendo até o Haemus (os Balcãs), - em consequência das invasões búlgaras. Os habitantes romenos das duas Mésias, entre o Danúbio e os Bálcãs migraram já para o norte (aumentando e fortalecendo os elementos dácio-romenos nativos de lá), já para o sul, na Península Balcânica, em direção ao Pindos.
No sul, aromânii (também chamados macedo-romenos e descritos pelos cronistas bizantinos como vlachs) são conhecidos no século X. Aromâna (macedo-romeno) é o mais importante dialeto do romeno ao sul do Danúbio. Partindo dele, fizeram-se no nosso século muitos esforços no sentido de reconstruir a língua romena comum. Os outros dialetos do romeno ao sul do Danúbio são o megleno-romeno e o ístrio-romeno.
Nesta vasta área onde estavam espalhados o romeno e seus dialetos, a língua romena se confrontou com elementos não-latinos. O vocabulário romeno inclui muitos elementos estrangeiros. G. ROHLFS salienta que o romeno, mais do que qualquer outra língua românica, foi aberta aos elementos "alógenos". O eslavo, o magiar (húngaro), o turco e o grego existentes no léxico romeno se submeteram a uma estrutura gramatical perfeitamente latina Podemos seguramente afirmar que nihil est in dácioromartico quod non fuerit in latino, parafraseando assim o sistema gramatical do romeno.
A força individual do romeno sempre repousou na capacidade de assimilar elementos não-latinos estrangeiros, um meio de fortalecimento da sua estrutura românica.
Muito paradoxalmente, a absorção de elementos não-latinos aumentou a capacidade do romeno para preservar a sua latinidade. Os povos de várias partes do mundo, com o quais romenos entraram em contato durante toda a sua agitada história, assimilaram a 1íngua dos romenos e se tornaram romanizados. A lealdade de língua dos romenos assegurou continuidade histórica do latin nesta parte do mundo. Assim, se tornou uma língua românica especificamente romena - a língua romena - pela preservação de sua estrutura gramatical interna, pelas inovações num espírito românico e pelas contribuições não-latinas.
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